‘Me sinto um dinossauro da cultura’: Luiz criou o Sebo de Mauá há mais de 20 anos e segue contando histórias

O Sebo de Mauá é o único da cidade e reúne milhares de livros, discos, CDs, DVDs, revistas e outros itens. Luiz Carlos Rossetti, de 71 anos, está à frente do espaço no centro do município.

Em reportagem publicada em 22 de outubro de 2026, Luiz contou que veio do Vale do Ribeira para Mauá ainda criança e que os livros sempre foram uma paixão. O sebo está em atividade há 27 anos.

O filho de Luiz, Leandro Rossetti, de 40 anos, trabalha com o pai e cuida das vendas online. As vendas por marketplaces ganharam importância para o negócio durante a pandemia de Covid-19, segundo Luiz.

Sebo de Mauá

O espaço é frequentado por pessoas de diferentes idades e perfis, e Luiz o considera um ponto turístico de Mauá. A história aborda a trajetória do sebo, as mudanças no comércio de cultura e a relação da família com o acervo.

A trajetória de Luiz e a criação do sebo em Mauá

Antes de se dedicar ao comércio de livros, Luiz Carlos Rossetti teve uma empresa de cerâmica em que produzia enfeites para aquários. A paixão pela leitura, porém, já fazia parte de sua vida: quando gostava muito de um livro, comprava várias cópias, às vezes 20, 30 ou 40, para dar de presente.

Luiz conta que passou por momentos difíceis e chegou ao fundo do poço três vezes. Em uma dessas fases, começou uma pequena loja na periferia com um lote de livros; a venda de um exemplar que valia o faturamento de uma semana o fez entender que aquele poderia ser seu caminho.

Depois da primeira venda marcante, ele passou a buscar livros em outros locais e a ampliar o estoque. Com o crescimento do negócio, levou a loja para o centro de Mauá, onde continuou a reunir publicações e outros itens culturais.



Mudanças no consumo e vendas pela internet

Ao comparar o livro impresso com conteúdos digitais, Luiz afirma que a leitura em papel ajuda o cérebro a guardar melhor o que foi lido do que os vídeos consumidos nas redes sociais. Para ele, um exemplar bem conservado pode ser lido da primeira à última página e manter seu conteúdo acessível.

As formas de consumir cultura mudaram ao longo dos anos: discos de vinil deram lugar a músicas baixadas no celular, DVDs foram substituídos pelos serviços de streaming e jornais impressos passaram a circular no feed do Instagram. A leitura também migrou para formatos digitais, enquanto as vendas de livros deixaram de ocorrer apenas presencialmente.

Luiz descreve as vendas pela internet como uma “salvação da lavoura” para o negócio. Ele observa que quem compra online tem um perfil diferente de quem visita a loja, embora os dois públicos procurem itens do acervo.

Acervo, trabalho em família e espaço cultural da cidade

Luiz compara a quantidade de livros empilhados no sebo a duas vezes a altura do Burj Khalifa, edifício de Dubai que tem cerca de 828 metros. Ele também estima que o acervo reúna pelo menos 100 mil títulos e comenta que, mesmo com essa variedade, nem sempre encontra o livro específico que alguém procura.

Entre os itens mais buscados estão discos de vinil, livros sobre profissões e gibis, incluindo os da Turma da Mônica. O espaço também reúne CDs, DVDs e revistas, além de publicações de diferentes assuntos e estilos musicais.

Leandro Rossetti organiza as vendas online e ajuda clientes a localizar livros por tema. Ele está reorganizando o acervo com identificação por assunto, substituindo a catalogação anterior, que era feita por números; segundo Leandro, a leitura e o aprendizado constante ajudam a reconhecer o que cada pessoa procura.

Luiz indica O diário de um mago, de Paulo Coelho, relato autobiográfico sobre uma peregrinação de 700 quilômetros pelo Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O sebo fica na Rua Anna Pasqualatto Perrella, 53, no Centro de Mauá, e funciona de segunda a sábado, das 10h às 19h.



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