Prefeitura de Mauá despeja ilegalmente ocupação Helenira Preta

O que aconteceu na Ocupação Helenira Preta?

No dia 16 de abril de 2026, as moradoras da Ocupação Helenira Preta, em Mauá, foram surpreendidas pela ação da Polícia Militar, que invadiu a área com escudos e cassetetes para realizar a reintegração da posse. Este ato deixou as mulheres sem um abrigo, pois o espaço era um refúgio para muitas que haviam vivido situações de violência. O despejo ocorreu sem qualquer aviso prévio, o que motivou revolta entre as envolvidas e a comunidade.

Impactos do despejo nas mulheres e crianças

A destruição repentina da ocupação teve um efeito devastador para as mulheres e crianças lá residentes. Muitas delas se encontravam vulneráveis e sem proteção adequada. O espaço não era apenas uma moradia, mas também um ponto de apoio e acolhimento. O despejo resultou na perda de todos os seus pertences, como colchões e eletrodomésticos. Isso agravou a situação, especialmente em um contexto onde já se registravam altos índices de feminicídio na região.

História da Ocupação Helenira Preta

A Ocupação Helenira Preta possui uma trajetória de resistência iniciada há 10 anos, em 2017. Criada por mulheres que buscavam um lar seguro, a ocupação conquistou visibilidade ao pressionar a prefeitura por serviços essenciais para proteção das mulheres. A luta desse grupo levou à implementação de políticas públicas na área da assistência social, como a criação da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres e centros de referência para atender às vítimas de violência.

despejo ilegal

A luta contra a violência e o feminicídio

No contexto do aumento da violência contra mulheres, a Ocupação Helenira se destacou como um espaço de resistência e proteção. A mobilização de mulheres ajudou a levantar bandeiras de combate ao feminicídio no ABC Paulista. Somente em 2026, seis feminicídios foram registrados nessa região, evidenciando a gravidade do problema e a urgência de espaços seguros para as vítimas.

Negociações rompidas com a prefeitura

As moradoras da ocupação já estavam em conversações com a prefeitura para garantir um espaço de acolhimento estrutural. Porém, as negociações foram abruptamente encerradas, ignorando os acordos previamente estabelecidos que previam um encontro entre as partes. A quebra destes entendimentos gerou frustração e desconfiança, uma vez que as moradoras demonstraram disposição para dialogar e buscar soluções.



A importância do Movimento de Mulheres

O Movimento Olga Benario, que apoia a Ocupação Helenira Preta, tem um papel crucial nesse cenário. Este coletivo se empenha em garantir o direito à moradia e à dignidade das mulheres em situação de vulnerabilidade. A mobilização gerou conquistas significativas ao longo dos anos, mas a recente ação contra a ocupação demonstra que há muito ainda por fazer para assegurar a proteção e o acolhimento necessário para essas mulheres.

O papel da polícia na reintegração

A ação policial no despejo da Ocupação Helenira Preta levantou questionamentos sobre os métodos utilizados para lidar com situações de vulnerabilidade. As críticas se concentram no uso da força excessiva contra mulheres e crianças, que estavam em uma luta por dignidade e abrigo. A resposta violenta da polícia, sem uma tentativa de resolver a situação de maneira pacífica, expõe a falta de sensibilidade das instituições governamentais em abordar a crise habitacional.

Reação da comunidade e apoio popular

A reação da comunidade à reintegração foi de indignação e solidariedade. Moradores de Mauá e de cidades vizinhas se mobilizaram para oferecer apoio às mulheres despejadas, arrecadando donativos e tentando criar alternativas temporárias de moradia. A união popular foi crucial para dar visibilidade à injustiça e pressionar a prefeitura a reconsiderar sua postura em relação à ocupação e às políticas de acolhimento.

Como pressionar por políticas de acolhimento

É fundamental que a sociedade civil se mobilize em defesa de políticas públicas que garantam acolhimento e proteção a mulheres em situação de vulnerabilidade. O engajamento em campanhas de conscientização, assédio a representantes políticos e a participação em fóruns de discussão são passos importantes. A mobilização deve focar na criação de uma rede de proteção e recursos que priorizem a segurança das mulheres e crianças.

Campanha de arrecadação para a construção da casa

Após o despejo, o Movimento de Mulheres Olga Benario lançou uma campanha de arrecadação para a construção de uma nova casa que servirá como abrigo para mulheres. Contribuições podem ser feitas por meio de PIX ou plataformas como Apoia.se. Esse projeto é visto não apenas como uma resposta imediata à crise, mas como uma necessidade vital para garantir que as mulheres tenham um lugar seguro para viver e se proteger.



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